Ambipar 12,5% com acordo de green bonds|batalha de jurisdição decide o plano

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O salto de 12,5% que ainda não é vitória

A Ambipar disparou 12,5% em um único pregão, mesmo estando em recuperação judicial. A ação de uma empresa com dívidas reestruturadas e caixa corroído subiu como se o problema já estivesse resolvido. O gatilho foi o acordo de apoio fechado com detentores da maioria dos green bonds com vencimentos em 2031 e 2033, emitidos por uma subsidiária da companhia.

O acordo consolida os principais termos da reestruturação para implementação no âmbito do plano de recuperação judicial brasileiro. Mas ao mesmo tempo, Santander e outros bancos já operavam numa frente paralela nos Estados Unidos para questionar exatamente esse plano. São os mesmos credores, a mesma dívida — e posições opostas sobre qual tribunal deve comandar o desfecho.

A própria Ambipar informou em fato relevante que chegou a termos com o Itaú BBA International para alongamento da dívida vencida. Mas esse contrato, como o acordo de green bonds, está sujeito a condições precedentes: aprovações societárias, homologação judicial do plano e autorizações regulatórias. O ganho da ação antecipou algo que juridicamente ainda não existe.

O caixa que desapareceu — e o vínculo com o Banco Master

Quando a Ambipar entrou com pedido de recuperação judicial, o mercado questionava o que havia acontecido com o caixa da companhia. Os números, mantidos em sigilo no tribunal do Rio de Janeiro, foram revelados agora: a empresa afirma ter encerrado 2025 com caixa de R$ 2,5 bilhões, mas o caixa e equivalentes líquidos em bancos de primeira linha caiu para R$ 295 milhões em dezembro, ante R$ 387 milhões em setembro.

A peça que faltava para entender a erosão do caixa é o Banco Master. Dois meses antes de a instituição ser liquidada, a Ambipar carregava cerca de R$ 700 milhões em CDBs do banco de Daniel Vorcaro. Essa posição foi depois substituída por pré-precatórios federais avaliados a valor de face em R$ 1,2 bilhão — mas cujo valor real é incerto, por definição. Não é por acaso que os bancos credores querem manter uma frente autônoma nos Estados Unidos: eles suspeitam que o caixa que garantiria o plano brasileiro está, em parte, imobilizado em papéis de liquidez opaca.

Além dos pré-precatórios, a Ambipar registrava R$ 237 milhões investidos em uma instituição financeira em processo de liquidação — cujo nome não foi divulgado. Esses números não estão auditados. A Ambipar também detinha mais de R$ 500 milhões em ações da Emae, posição que informou ter negociado no segundo trimestre de 2026. O quadro revela que a qualidade do caixa que sustenta o plano de recuperação é muito menos líquida do que o valor nominal sugere.

Chapter 11 versus recuperação brasileira: o campo de batalha muda de país

Em 14 de julho, os advogados da Ambipar protocolaram no Tribunal de Falências do Sul do Texas o pedido para suspender o Chapter 11 e transferir o comando da reestruturação para o Brasil. A diferença entre os dois regimes não é apenas formal. O Chapter 11 oferece aos bancos uma frente autônoma nos Estados Unidos para questionar o plano e o tratamento dado a cada grupo de credores. O Chapter 15 — que reconhece o processo brasileiro como principal — restringiria esse espaço e concentraria o debate no Rio de Janeiro.

A lógica da Ambipar é que o acordo com os detentores de green bonds consolida uma maioria suficiente para conduzir o plano pelo processo brasileiro. Mas os bancos credores — que já tentaram barrar o plano nos EUA, segundo artigos publicados pelo Estadão — não precisam de maioria para manter o Chapter 11 vivo. Basta que o juiz americano não conceda a suspensão. E até 31 de julho, qualquer credor pode protocolar sua objeção.

Se o juiz Alfredo R. Perez reconhecer o processo brasileiro como procedimento estrangeiro principal na audiência de 7 de agosto, a Ambipar consolida o terreno. A Justiça americana passaria a exercer papel de cooperação — não de comando. Mas se ele mantiver o Chapter 11 ativo, os dois processos continuariam existindo simultaneamente, com bancos operando na frente americana enquanto o plano tenta aprovação no Brasil. Nesse cenário, cada movimento em um processo pode ser contestado no outro.

31 de julho e 7 de agosto: o que holder e observador precisam monitorar

A audiência de 7 de agosto será probatória e poderá incluir depoimentos de testemunhas — não é uma formalidade. O aviso judicial confirma que o juiz americano poderá se comunicar diretamente com a Justiça brasileira. Antes disso, até 31 de julho, credores que queiram contestar o reconhecimento do processo brasileiro têm prazo para protocolar objeções. O número e o perfil de quem protocolar nessa janela é o primeiro sinal sobre a força dos bancos na frente americana.

A leitura convencional vê o risco da Ambipar como preço de ação — se sobe ou cai. O risco estrutural é diferente: é o plano de recuperação ficar juridicamente travado entre dois sistemas com lógicas opostas. Um plano aprovado no Brasil com resistência mantida nos EUA pode ser incapaz de converter dívida em equity, de emitir novas debêntures ou de executar qualquer compromisso com credor que tenha ativos americanos. Esse travamento é o que os bancos credores estão comprando tempo para conseguir.

Para quem já carrega AMBP3, o gatilho que confirma o leaning positivo é a ausência de objeções relevantes até 31 de julho — especificamente de grandes bancos. Para quem observa de fora, a entrada só faz sentido se o juiz americano reconhecer o Chapter 15 e suspender o Chapter 11 na audiência de 7 de agosto. Se os bancos apresentarem objeções formais antes de 31 de julho, o plano de reestruturação entra em disputa jurisdicional prolongada — e o salto de 12,5% que a ação registrou com o acordo de green bonds se torna um ganho antecipado sobre uma aprovação que ainda não veio.

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