Braskem BRKM5 e a dívida de US 9,4 bi|Credores travam negociação e cobram a Petrobras

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O impasse bilionário

A Braskem, dona do ticker BRKM5, recuou 8,36% em um único pregão, o segundo tombo forte seguido. A queda veio horas depois de a companhia conseguir na Justiça uma proteção de 60 dias contra o vencimento de dívidas cobradas por parte dos credores financeiros.

Uma medida pensada para dar fôlego à empresa deveria acalmar o investidor, não afugentá-lo. O que essa queda revela é que o mercado não está reagindo à proteção em si, mas ao impasse que ela expôs: credores donos de uma dívida bruta de nove bilhões e quatrocentos milhões de dólares não confiam em quem está negociando em nome da Braskem.

Detentores de títulos emitidos no exterior pela Braskem estão exigindo conversas diretas com a Petrobras, sócia de referência da petroquímica há décadas, sem a intermediação da gestora IG4 Capital. É a gestora quem hoje indica os executivos financeiros que sentam à mesa de negociação.

Duas propostas sem resposta

O plano de recuperação extrajudicial precisa estar fechado até meados de agosto. Desde que a primeira proposta da Braskem foi rejeitada pelos credores, a companhia recebeu duas novas contrapropostas e ainda não formulou resposta a nenhuma delas, segundo pessoas próximas às discussões.

Os credores apontam que a IG4 não tem recursos próprios relevantes para um eventual aporte, ao contrário da Petrobras. O que pedem, mais do que dinheiro imediato, é a presença da acionista de referência na mesa de negociação — algo que a estrutura de governança atual não permite.

O Bradesco BBI reforça a urgência do impasse com um número que expõe a gravidade da situação: a relação entre dívida líquida e Ebitda projetada para 2027 é de aproximadamente onze vezes, quando o patamar considerado sustentável para o setor gira em torno de três vezes.

O paradoxo da diluição

Aqui está o ponto que a maioria dos investidores ignora: o banco estima que o valor final da ação pode variar de centavos de real a cerca de quatro reais, dependendo apenas dos termos da reestruturação. Não é a existência do acordo que decide o preço da Braskem, é a divisão do ônus entre credores e acionistas.

Para que a companhia volte a ter patrimônio líquido positivo, o banco estima que pelo menos trinta por cento da dívida total precisaria ser convertida em participação acionária. Quanto maior essa conversão, maior a diluição de quem já é acionista hoje.

Vale notar que eventos externos já testaram essa tese: a escalada do conflito no Oriente Médio melhorou os spreads petroquímicos e chegou a elevar as ações da Braskem, levando o UBS BB a subir o preço-alvo para dez reais e cinquenta centavos. Mas o próprio banco reconheceu que isso é alívio de margem operacional, não solução para o caixa de aproximadamente um bilhão de dólares, o menor em duas décadas.

O gatilho que decide tudo

Mais do que o prazo de agosto, o indicador mais próximo a observar é a primeira resposta formal da Braskem às duas contrapropostas dos credores. É esse movimento que vai revelar se a Petrobras entra na mesa ou continua deixando a IG4 conduzir sozinha.

Para quem já detém a ação, a leitura é de observação: o papel se torna um caso de entrada se a resposta da companhia sinalizar uma diluição próxima do piso estimado pelo banco, mantendo a conversão de dívida contida. Torna-se uma armadilha se a companhia ceder integralmente às exigências dos credores, elevando a diluição além do intervalo hoje precificado.

Antes de qualquer decisão, o ponto de checagem é único: a próxima comunicação oficial da Braskem sobre os termos aceitos com os credores, o fato que vai transformar a incerteza de hoje em um número concreto de diluição.

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