BTG Pactual BPAC11|Compra Banco sob Investigação da PF

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O CDB de 135%

O BTG Pactual, dono da ação BPAC11, está negociando comprar o Banco Digimais, de Edir Macedo, exatamente o banco que a Polícia Federal aponta como réplica do esquema do Banco Master. Enquanto essa compra é discutida, corretoras como Itaú, XP e o próprio BTG continuam vendendo ao público CDBs do Digimais com retorno de até 135% do CDI. O paradoxo é direto: o mesmo banco que pode estar comprando o Digimais também está vendendo dívida dele para investidores de varejo, com uma nota de risco diferente da concorrência.

Aqui está o ponto que separa uma leitura de outra: as próprias plataformas discordam sobre o risco do mesmo papel. Itaú, XP e Ágora classificam o CDB do Digimais como risco alto. O BTG, isoladamente, classifica o mesmo papel como risco moderado, sem detalhar publicamente o critério. Essa divergência entre participantes, negociando o mesmo ativo sob leituras opostas de risco, é o que torna esse CDB diferente de qualquer outro papel bancário em oferta hoje.

A tática que a PF já viu antes

A Operação Miragem, deflagrada em 23 de junho, aponta que o Digimais superavaliou ativos e emitiu títulos com rentabilidade desproporcional ao mercado, a mesma lógica que levou à liquidação do Banco Master. Segundo a Polícia Federal, o desfecho negociado é a venda do controle ao BTG Pactual, mas essa venda depende de um aporte estrutural de R$ 7 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos para cobrir o rombo. Na leitura dos federais, isso transfere boa parte do prejuízo para o sistema de proteção, blindando o patrimônio de quem administrou o banco.

A própria Polícia Federal afirma que, caso a operação com o BTG não se concretize, a liquidação do Digimais pode ser decretada, o mesmo destino do Master. Isso muda o que está em jogo: não é apenas uma aquisição bancária qualquer, é a diferença entre um desfecho negociado, com o FGC absorvendo parte da perda, e um colapso direto que atinge quem ainda segura papéis do banco no mercado secundário.

O que o BTG ganha com o risco

A pergunta que a controvérsia sobre o rating não responde sozinha é por que o BTG quer esse ativo. A resposta está em outro dado do noticiário: o negócio carrega um crédito tributário estimado em R$ 3 bilhões, que se torna aproveitável justamente para um comprador do porte do BTG. Isso reformula o quadro. O BTG não estaria comprando o Digimais apesar do rombo, estaria estruturando um negócio em que o FGC cobre boa parte do prejuízo e o crédito tributário compensa o resto, o que explica por que aceitar esse risco pode fazer sentido para o comprador mesmo quando outras corretoras o classificam como risco alto.

Do outro lado da mesa, Edir Macedo já injetou cerca de R$ 1,5 bilhão no Digimais para reduzir os problemas do balanço e tornar o banco vendável, sinal de que o controlador também está pressionado pelo relógio regulatório. Enquanto isso, o BTG já havia formalizado interesse pela instituição em abril, e o Banco Safra segue como comprador alternativo nas negociações, o que mantém em aberto se o desenho final do negócio será o mesmo descrito pela Polícia Federal.

O que decide antes da próxima notícia

Quem já tem exposição ao BTG Pactual, seja em ações, seja em produtos distribuídos pela casa, tem um gatilho concreto a acompanhar: a confirmação formal do aporte de R$ 7 bilhões do FGC para viabilizar a compra do Digimais. Se esse aporte for confirmado nos termos descritos pela Polícia Federal, o negócio se consolida como uma aquisição de baixo risco líquido para o BTG, com o crédito tributário como ganho adicional, e o episódio se torna apenas mais um capítulo controlado de consolidação bancária. Se a negociação travar, ou se o FGC resistir ao desenho da operação, o cenário migra para liquidação, e aí o alerta da própria Polícia Federal sobre repetição da tática do Master deixa de ser retórica e passa a valer também para quem segura CDBs do Digimais no mercado secundário. É esse desfecho, aporte confirmado ou negociação travada, que determina se o episódio fica restrito ao Digimais ou se testa a credibilidade do próprio sistema de garantia que sustenta a confiança do investidor de varejo em renda fixa bancária.

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