Embraer|Receita recorde, margem desigual

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O salto que o mercado comprou

A Embraer abriu o segundo trimestre de 2026 com receita recorde de R$ 11,3 bilhões. O lucro líquido ajustado chegou a R$ 1,113 bilhão, alta de 25,1% sobre um ano antes.

A reação foi imediata: as ações chegaram a subir 6,68% e tocaram R$ 101,22 durante o pregão. A carteira de pedidos alcançou US$ 34,5 bilhões, o maior nível da história da companhia.

A primeira leitura, portanto, é positiva: crescimento, lucro e carteira avançaram juntos. Mas a pergunta muda quando olhamos a qualidade desse avanço, porque o caixa e as margens precisam sustentar a próxima etapa.

O que há por trás do caixa

Parte do fluxo de caixa foi ajudada por um crédito tributário extraordinário de US$ 68 milhões. A empresa também recebeu cerca de US$ 300 milhões em pagamentos antecipados de clientes.

Isso não transforma o resultado em uma ilusão, porque a operação também veio acima das expectativas. Mesmo retirando o crédito tributário e custos tarifários restantes, a estimativa de margem EBIT ajustada ficaria em 10,2%, acima do consenso citado pelo Safra.

A resposta fica mais precisa: a melhora operacional parece real, mas o trimestre não é uma medida pura de recorrência. O caixa foi forte e a margem subjacente resistiu, porém os efeitos extraordinários ainda alteram o tamanho do salto observado.

A carteira vira capacidade

A carteira de pedidos cresceu 16% em um ano, chegando a US$ 34,5 bilhões. No trimestre, a Embraer entregou 65 aeronaves, contra 61 no mesmo período do ano anterior.

A carteira de Defesa e Segurança avançou 42%, enquanto a demanda global favorece produtos militares e os concorrentes enfrentam filas longas. Por isso, a empresa projeta capacidade de 110 a 120 aviões comerciais por ano até 2030.

A carteira aumenta a visibilidade, mas não equivale ao lucro já realizado. O ponto decisivo passa a ser a conversão desses pedidos em entregas, caixa e margens sem que a expansão de capacidade consuma o ganho operacional.

A margem que ainda falta provar

A parte menos uniforme do balanço apareceu na aviação comercial. A margem EBIT do segmento caiu para 2,9%, pressionada por despesas maiores de pesquisa e desenvolvimento e por um mix de clientes menos favorável.

Esse detalhe reinterpreta o recorde: a Embraer pode crescer e, ainda assim, entregar margens diferentes entre os negócios. Defesa, aviação executiva e serviços ajudam o resultado, mas a aviação comercial continua sendo a parte que precisa provar recuperação.

A conclusão mais forte é condicional: a melhora operacional da Embraer parece mais ampla do que um simples efeito contábil, mas ainda não autoriza tratar toda a alta como consolidada. O teste será cumprir em 2026 a margem EBIT de 10% a 10,6% e o fluxo de caixa livre ajustado de pelo menos US$ 400 milhões.

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