Magalu online recua 12%|Lojas salvam o lucro?

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Lojas protegem, lucro recua

O balanço do segundo trimestre traz uma resposta provisória: as lojas físicas estão protegendo a operação, mas ainda não salvam o lucro líquido. O e-commerce recuou 11,9%, as vendas totais caíram 5,1% e a companhia voltou ao prejuízo ajustado de R$ 50,4 milhões. A questão em aberto é se essa queda digital representa uma escolha temporária para defender margens ou uma perda competitiva mais profunda.

O contraste entre os canais

O contraste entre os canais é claro. As lojas físicas cresceram 10,3%, apoiadas principalmente pela demanda por televisores durante a Copa do Mundo. Já o comércio eletrônico caiu tanto nas vendas próprias quanto no marketplace. A receita líquida recuou 2,6%, para R$ 8,9 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado ficou em R$ 708,8 milhões, com margem estável em 8%.

Menos volume, mais disciplina

A leitura positiva é que o Magalu está vendendo menos, mas com mais disciplina. A margem bruta ficou em 30,6%, as despesas com vendas diminuíram proporcionalmente e a empresa afirma ter repassado aos preços o aumento global dos custos de chips de memória. Segundo a companhia, aceitar alguma perda de volume foi preferível a preservar vendas com descontos que destruíssem a rentabilidade.

A explicação tem limite

Mas essa explicação tem limite. A queda atingiu tanto o estoque próprio quanto o marketplace, o que sugere que o problema não está apenas nos produtos diretamente afetados pelos chips. Juros altos, competição intensa e consumo mais fraco também aparecem nas avaliações de Ativa, Citi e JPMorgan. Não há, nos corpos consultados, uma divisão precisa entre o efeito do repasse de custos e o efeito da perda de competitividade.

A linha financeira pede cautela

A linha financeira reforça a cautela. O resultado financeiro ficou negativo em R$ 572,3 milhões, 15,5% pior que um ano antes. A administração atribui parte dessa pressão à antecipação de recebíveis depois da formação de estoques para a Copa e afirma que esse movimento deve se normalizar. Se isso ocorrer, o prejuízo pode ser mais sazonal do que estrutural.

Contrapesos no balanço

Há contrapesos relevantes. A Luizacred lucrou R$ 135,3 milhões, com retorno sobre o patrimônio de 23,5%, e a inadimplência acima de 90 dias caiu de 8,4% para 7,3%. O caixa total chegou a R$ 5,8 bilhões, e o fluxo de caixa operacional foi positivo em R$ 258,8 milhões. Portanto, o balanço não descreve uma crise imediata de liquidez; descreve uma operação que ainda não transforma resultado operacional em lucro líquido com consistência.

A escolha defensiva do Magalu

A comparação com o Mercado Livre torna o quadro mais preciso. Mesmo com receita 50% maior e GMV 36% acima do ano anterior, a empresa viu a margem operacional cair, pressionada por frete e descontos. Isso indica que o comércio eletrônico enfrenta uma escolha ampla entre crescer e preservar rentabilidade. A diferença é que o Magalu já está fazendo essa escolha pelo lado defensivo, sacrificando volume antes de ampliar subsídios.

O teste central da ação

Para quem já acompanha a ação, o crescimento das lojas não deve ser tratado como prova suficiente de uma recuperação completa. Para quem observa o papel, o teste central é outro: o e-commerce conseguirá estabilizar as vendas sem devolver a margem por meio de descontos, enquanto as despesas financeiras recuam?

Amazon como teste concreto

A parceria com a Amazon oferece uma observação concreta. O Magalu afirma que as vendas iniciais superaram as expectativas e prevê a entrada de seus produtos no selo Prime, além do uso da Magalog na operação logística. Nos próximos trimestres, a combinação entre GMV online, margem e resultado financeiro mostrará se esse canal acrescenta crescimento rentável ou apenas redistribui vendas.

Proteção operacional, lucro ainda incerto

A avaliação mais forte hoje é condicional: o Magalu está conseguindo proteger a qualidade operacional, mas ainda não demonstrou uma retomada sustentável do lucro. A evidência disponível não permite medir quanto da queda digital veio dos chips, quanto veio da concorrência e se a Amazon mudará essa trajetória.

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