Movida acelera no aluguel|lucro dobra, ação cai 4%

· B3

O resultado que contrariou a tela

A Movida abriu a rodada com lucro de R$ 135,6 milhões no segundo trimestre. O número cresceu 100,7% em um ano e foi o maior resultado trimestral em quatro anos.

O lucro também ficou acima do guidance de R$ 110 milhões a R$ 130 milhões. Ainda assim, as ações terminaram o dia em queda de 4%, cotadas a R$ 7,45.

A pergunta central, portanto, não é se houve melhora no trimestre. É se essa melhora muda de forma duradoura o risco que o mercado atribui à empresa.

Onde o lucro foi criado

A receita líquida chegou a R$ 3,765 bilhões, alta de 2,4% em um ano. O EBITDA avançou 22,3%, para R$ 1,686 bilhão, e marcou outro recorde.

O motor apareceu no aluguel de carros: a diária média subiu para R$ 165. O volume chegou a 7,413 milhões de diárias, enquanto a frota terminou o trimestre com 286 mil veículos.

Isso sugere uma mudança de mix, não apenas um trimestre excepcional de vendas. A Movida priorizou a locação, onde preço e utilização ajudaram a expandir a rentabilidade.

O custo da escolha

Na outra ponta, a venda de carros recuou 25,1%, para 19.414 unidades. A própria companhia atribuiu a queda à decisão estratégica de oferecer menos veículos para revenda.

O problema é que a estrutura financeira continua exigente. O resultado financeiro foi negativo em R$ 845,6 milhões, a dívida líquida ficou em R$ 17,222 bilhões e a alavancagem terminou em 2,66 vezes.

A melhora operacional é real, mas não elimina o custo do capital. A taxa de juros subiu 2 pontos porcentuais em quatro anos, e a empresa segue dependente de gerar caixa para reduzir a pressão financeira.

O teste que vem agora

A reação do mercado ajuda a explicar a tensão. As ações caíram 4%, enquanto a receita de R$ 3,765 bilhões ficou abaixo da expectativa média de R$ 3,94 bilhões, apesar de o EBITDA ter superado a projeção de R$ 1,62 bilhão.

O próximo teste já tem uma faixa concreta. A Movida projetou lucro líquido entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões no terceiro trimestre, contra R$ 70 milhões no mesmo período de 2025.

A leitura mais forte hoje é condicional: a locação melhorou e passou a carregar mais do resultado, mas a tese ainda precisa atravessar juros, dívida e menor revenda. Se o guidance do terceiro trimestre vier acompanhado de caixa e desalavancagem, o lucro terá uma qualidade mais convincente; se não, a queda da ação terá antecipado exatamente esse limite.

Link copied