NVDC34 73% de receita|Rebaixamento antes dos IPOs de IA

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O resultado que o mercado esperava — e a resposta que não esperava

A Nvidia divulgou seu balanço do quarto trimestre de 2025 após o fechamento do mercado norte-americano. Receita de US$ 68,1 bilhões. Alta de 73% em um ano. Guidance para o próximo trimestre: US$ 78 bilhões, acima do consenso de analistas que projetava US$ 72 bilhões. O número mais importante saiu maior do que o esperado. Por qualquer métrica tradicional, esse era o resultado que justificaria uma alta forte no dia seguinte. O que aconteceu foi o oposto. As ações da Nvidia chegaram a subir 2,5% no after-hours, mas a alta desacelerou para perto de 0,5%. Nos dias seguintes, o papel cedeu. Esse comportamento não é novo: é o padrão dos dois últimos trimestres. A explicação habitual é "realização de lucro após resultado forte". Mas essa explicação esconde uma premissa que vale ser examinada com cuidado. O resultado afasta o principal medo do mercado, que era desaceleração. A projeção de US$ 78 bilhões equivale a uma base anual acima de US$ 300 bilhões. A empresa fechou 2025 com faturamento de US$ 215,9 bilhões, já 65% acima do ano anterior. Os hyperscalers — Microsoft, Alphabet e outros — já investiram quase US$ 2 trilhões em expansão computacional até 2025 e projetam mais US$ 630 bilhões para este ano. O segmento de data centers, principal motor da Nvidia, registrou receita de US$ 62,3 bilhões no 4T25, alta de 75,1% frente ao mesmo período do ano anterior. Não há desaceleração nos dados. Então por que o mercado não reage como deveria?

O rebaixamento de analista: a premissa que o crescimento não consegue refutar sozinho

Na véspera do resultado, um analista rebaixou a recomendação de Nvidia. A sequência importa: o rebaixamento foi registrado antes do balanço, e o balanço veio acima do esperado. Em qualquer outro contexto, um resultado que supera o consenso derrubaria uma tese de rebaixamento. Aqui não derrubou. Por quê? A resposta exige separar dois argumentos que frequentemente aparecem combinados na cobertura do papel. O primeiro argumento é fundamentalista: os números da Nvidia são reais, o crescimento é estrutural, a demanda por chips de IA não vai desacelerar no curto prazo. Esse argumento tem suporte nos dados. Nenhum analista com acesso ao balanço do 4T25 contestou os números em si. O segundo argumento é de posicionamento: o papel já precifica uma fração significativa do crescimento futuro. A Nvidia hoje vale US$ 4,77 trilhões em valor de mercado. Esse é o ponto mais relevante que a maior parte da discussão trata como dado, mas que na verdade é uma premissa que precisa ser confirmada a cada trimestre. A tese de rebaixamento não diz que a Nvidia vai crescer menos. Ela diz que o preço já incorpora crescimento além do que os trimestres seguintes vão confirmar. É um argumento sobre múltiplos de avaliação, não sobre resultado operacional. E é exatamente aqui que aparece a divergência que não se resolve com um balanço forte. Se o analista está certo, o resultado de US$ 68,1 bilhões já estava precificado, e o mercado vai olhar para os US$ 78 bilhões projetados para o próximo trimestre e perguntar: mas e depois? Se o analista está errado, os US$ 630 bilhões que os hyperscalers projetam gastar neste ano vão continuar chegando na Nvidia, e o crescimento vai sustentar ou expandir o preço. A premissa implícita que o consenso usou nos últimos anos é que o crescimento da Nvidia vai continuar comprimindo o múltiplo de valuation organicamente — ou seja, o papel vai "crescer para dentro do seu próprio preço". Essa premissa nunca foi contestada de forma séria enquanto os trimestres vinham acima do esperado. O rebaixamento recente é o primeiro sinal de que um analista de mercado está colocando essa premissa em questão de forma explícita. E o timing do rebaixamento — feito às vésperas de uma movimentação de capital sem precedentes — não é coincidência.

A onda de IPOs de IA: US$ 75 bilhões que precisam sair de algum lugar

Na mesma semana em que a Nvidia divulgou seu resultado recorde, a SpaceX abriu capital na Nasdaq. O IPO foi precificado a US$ 135 por ação, totalizando US$ 75 bilhões — o maior IPO da história. A demanda foi mais de quatro vezes superior ao volume ofertado: US$ 250 bilhões em demanda para US$ 75 bilhões de ações disponíveis. Os papéis subiram 19,2% no primeiro dia, chegando a US$ 160,95. O valor de mercado da SpaceX ultrapassou US$ 2 trilhões na estreia. E há um detalhe central que conecta diretamente com a Nvidia. Investidores estão vendendo Bitcoin para comprar SpaceX, ou trocando ações da Nvidia por SpaceX. Isso não é rumor isolado. Dados documentam um movimento de realocação institucional: hedge funds reduziram sua participação no ETF de Bitcoin da BlackRock de 29% para 19% apenas em maio, ao mesmo tempo em que o capital começou a se mover em direção à onda de IPOs de IA. No total, estima-se que mais de US$ 400 bilhões foram alocados em infraestrutura e empresas de IA nos últimos seis meses. A SpaceX foi o primeiro da fila. Mas a fila não termina ali. Anthropic e OpenAI — as duas empresas que mais frequentemente aparecem como candidatas ao próximo grande IPO de tecnologia — também planejam abrir capital. Cada uma pode absorver dezenas de bilhões de dólares em liquidez institucional. O ponto que a maior parte da análise sobre a Nvidia não coloca no centro é este: dentro de um portfólio institucional, a Nvidia e essas empresas não são ativos complementares. São ativos que competem pela mesma fatia do orçamento de risco. Ambos são classificados como vetores de crescimento exponencial. Ambos dependem de expansão de múltiplos de valuation para justificar o preço atual. Quando um novo ativo da mesma categoria estreia com demanda quatro vezes superior à oferta, ele não apenas atrai capital novo. Ele força quem já está alocado a decidir se vai reduzir exposição em algo que já subiu muito para participar de algo que ainda não subiu. Essa dinâmica não aparece no resultado operacional da Nvidia. Aparece no comportamento do preço das ações nos dias que seguem um balanço forte. E é exatamente o padrão que se observou na semana do 4T25. A pergunta que o investidor em NVDC34 precisa monitorar não é se o próximo trimestre vai confirmar os US$ 78 bilhões projetados. Esse número provavelmente vai se confirmar. A pergunta é se os IPOs de OpenAI e Anthropic, quando chegarem ao mercado, vão absorver capital o suficiente para mudar a equação de fluxo que sustenta o múltiplo de valuation da Nvidia. Se a demanda para esses IPOs for da mesma magnitude do que foi para a SpaceX — e há indicações de que será — o papel pode seguir entregando crescimento operacional enquanto o preço caminha lateralmente ou recua. Não por problema nos fundamentos. Por realocação de capital em direção ao que ainda não precificou o crescimento.

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