Oi OIBR3|Caixa Acaba em 10 de Agosto
O Caixa Que Acaba
A Oi informou à Justiça do Rio de Janeiro que seu caixa disponível deve cair para R$ 19,6 milhões até o fim de julho, ante os R$ 88,1 milhões previstos em abril. A gestão judicial já pede autorização para demitir parte dos funcionários e adiar o pagamento das verbas rescisórias. O motivo dessa queda abrupta não é operacional: é jurídico.
A própria empresa aponta a causa: a suspensão das decisões relacionadas à venda da participação da Oi na V.tal e o atraso na conclusão da venda da unidade de Serviços Telefônicos. São justamente os dois ativos que sustentariam o caixa da companhia até setembro. Sem eles, a insuficiência de recursos, antes prevista para setembro, foi antecipada para 1º de agosto.
Bancos Contra o Prazo
Enquanto a Oi tenta manter a operação até vender seus ativos, Itaú Unibanco e Bradesco recorrem contra a decisão que converteu a recuperação judicial da Oi e de suas subsidiárias em falência, buscando encerrar a manutenção provisória das atividades. O julgamento desses recursos está parado desde 30 de junho, após um pedido de vista do desembargador Augusto Alves Moreira Júnior.
O gestor judicial já havia alertado que o passivo extraconcursal da Oi segue significativamente superior à posição de caixa da companhia, mantendo-a dependente de medidas extraordinárias só para não deteriorar ainda mais a situação. É esse descompasso entre dívida imediata e caixa disponível que dá aos credores o argumento para pressionar pela falência antes que os ativos sejam vendidos.
A leitura de mercado trata o prazo de 10 de agosto como um problema puramente de caixa da Oi. Mas o próprio calendário da companhia mostra que o gargalo real está fora do seu controle: é a Justiça, ao manter suspenso o julgamento do recurso dos bancos, quem decide se a Oi terá tempo de concluir as vendas antes que a falência seja confirmada.
O Bilionário Que Saiu
No mesmo período em que a Oi revisava seu calendário de caixa para pior, o investidor Victor Adler, um dos acionistas pessoa física mais conhecidos da B3, reduziu sua participação em ações preferenciais da Oi de 15,66% para 7,74%, e sua posição total no capital social caiu a apenas 0,04%. Adler é conhecido por assumir posições em empresas em reestruturação, mas na Oi a aposta não rendeu o esperado.
Para quem já tem posição na Oi, o gatilho a observar não é o caixa em si, mas o retorno do julgamento do recurso de Itaú e Bradesco: se os bancos vencem, a falência se confirma antes de qualquer venda de ativo se concretizar, e a tese de reestruturação se encerra. Para quem está de fora avaliando entrada, a variável que decide é a conclusão da venda da V.tal ou da Oi Soluções antes de 1º de agosto: se o dinheiro entrar a tempo, a operação segue como um caso de liquidação ordenada com upside residual; se não entrar, o cenário de falência se torna o caminho mais provável. É esse desfecho jurídico, não o saldo em caixa, que o investidor precisa acompanhar antes de decidir.
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