PETR4 -R 16,5 Bi em 1 Pregão|O Alvo de R 62 do BTG Ainda Faz Sentido?

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O Ibovespa subiu, mas o dinheiro de petróleo foi embora

A Petrobras perdeu R$ 16,5 bilhões em valor de mercado em um único pregão — e o Ibovespa fechou em alta. Esses dois fatos não costumam coexistir, porque PETR4 sozinha responde por parcela relevante do índice. O que mudou foi de onde veio a força: não do petróleo, mas dos bancos.

O gatilho foi externo. Negociações entre Estados Unidos e Irã avançaram o suficiente para derrubar o contrato de Brent em 6,78%, chegando a US$ 93,42 o barril na Intercontinental Exchange de Londres. Trump flexibilizou sua posição sobre o urânio iraniano — antes insistia na transferência para os EUA, agora admite destruição no próprio território persa. Esse recuo sinalizou ao mercado que um acordo pode sair antes do esperado.

PETR4 reagiu caindo 2,43%, a R$ 43,40, encerrando o dia no menor nível desde 11 de março. PETR3 recuou 2,91%. Junto com PRIO3, que despencou 5,98%, o setor de petróleo sangrou. Do outro lado, ITUB4 avançou 2,31%, BBAS3 subiu 3,39%, e ASAI3 disparou 8,06% depois que o JP Morgan declarou preferência pelo papel no varejo alimentar. O Ibovespa fechou a 177.815 pontos, alta de 0,91%, sustentado por esse giro setorial.

O dólar recuou a R$ 5,0190. As taxas dos DIs caíram em toda a curva — dado que, com a expectativa de paz no Oriente Médio, o prêmio de risco geopolítico global comprimiu. E ainda assim o Focus trouxe a 11ª elevação consecutiva na projeção do IPCA 2026, agora em 5,04%, acima do teto de 4,5%. A Selic segue estimada em 13,25%. Dois movimentos que apontam em direções opostas — alívio externo e pressão interna — e o mercado escolheu seguir o primeiro.

PETR4 a R$ 43,40 com alvo de R$ 62: o que o BTG está precificando que o mercado não está

O BTG Pactual não mudou sua recomendação. Manteve compra em PETR4 com alvo de R$ 62 para dezembro de 2026 — um prêmio de 43% sobre o fechamento desta segunda-feira. O argumento dos analistas Bruno Henriques, Gustavo Cunha e Rodrigo Almeida é concreto: o Brent médio entre abril e junho ficou em torno de US$ 104 o barril, e esse nível sustenta resultados fortes no segundo trimestre da Petrobras. A alta produção, a captura dos preços elevados e o programa de subvenção ao diesel, ao qual a estatal aderiu na semana passada, compõem a tese.

Mas a tese do BTG foi construída com guerra no Oriente Médio. Desde 28 de fevereiro, quando o conflito com o Irã escalou, a Petrobras acumulou 12 recordes históricos de valor de mercado. O pico foi R$ 680,1 bilhões em 14 de abril. Hoje, a companhia vale R$ 598,7 bilhões — uma perda de mais de R$ 80 bilhões em relação ao pico em seis semanas. O mercado já começou a desmontar o prêmio de guerra antes mesmo de qualquer acordo ser assinado.

Aqui aparece a divergência. O BTG projeta Brent a US$ 104 como base para o 2T26 — e esse número provavelmente se confirmará, porque o trimestre já está quase encerrado e os preços do período estão calculáveis. O problema é o 3T26. Se o acordo de paz vier antes de julho, o Brent pode recuar bem abaixo de US$ 100, e o alvo de R$ 62 precisaria ser reavaliado. O BTG está certo no 2T26. A pergunta é se o mercado precificou que esse será o último trimestre com petróleo elevado — ou se o alvo de R$ 62 pressupõe que o conflito persiste além do terceiro trimestre.

A rotação de hoje responde essa pergunta de forma implícita. O capital que saiu de PETR4 e PRIO3 foi para ITUB4 e BBAS3 — bancos domésticos, sensíveis ao ciclo de crédito brasileiro, não ao Brent. Quem comprou banco está apostando que a economia doméstica sustenta posição mesmo sem o vento de cauda do petróleo. Quem ainda segura PETR4 ao preço atual está apostando que o BTG está certo e que o acordo de paz não chegará a tempo de afetar os resultados de 2026.

O que precisa acontecer para o alvo de R$ 62 sobreviver

A questão que o fechamento de hoje deixa aberta é de tempo, não de fundamento. O 2T26 da Petrobras será forte — isso está razoavelmente garantido pelo nível do Brent no período. O risco está em quanto tempo o mercado levará para incorporar o 3T26 nos preços.

Há um paralelo relevante. Em 2022, quando a guerra na Ucrânia elevou o Brent acima de US$ 120, as ações da Petrobras atingiram máximas históricas. Quando o petróleo recuou no segundo semestre daquele ano, os papéis não caíram na mesma proporção imediatamente — o mercado segurou posição esperando dividendos extraordinários do lucro acumulado. A Petrobras distribuiu dividendos recordes em 2022 e 2023, e isso amorteceu a queda das ações mesmo com petróleo mais baixo.

O argumento para continuidade de PETR4 próximo de R$ 43 ou abaixo: se o acordo de paz for rápido e o Brent cair para a faixa de US$ 75 a US$ 80 até agosto, o lucro do 3T26 contrai, os dividendos do segundo semestre diminuem, e o fluxo de reposicionamento para bancos e consumo se acelera. O nível de R$ 40 volta ao radar.

O argumento para recuperação: as negociações com o Irã não têm data definida. Trump cedeu na questão do urânio, mas o Estreito de Ormuz permanece sob controle iraniano e uma reabertura completa levaria 30 dias após qualquer acordo, segundo fontes diplomáticas. Se o processo empatar em julho, o Brent pode se estabilizar entre US$ 95 e US$ 100, e o BTG fecha o ano com o alvo de R$ 62 ainda viável.

O benchmark para monitorar na terça-feira é o próprio nível do Brent ao amanhecer — se os contratos para agosto romperem US$ 90 para baixo, o desconto no alvo do BTG começa a ser questionado abertamente pelo mercado. Se segurarem acima de US$ 95, a tese de dividendos do 2T26 ganha tempo. PETR4 a R$ 43,40 com alvo de R$ 62 descreve um mercado que ainda não decidiu se a guerra acabou ou apenas pausou.

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