Petrobras PETR4 e o petróleo a US96|Queda de 4% no mesmo dia da guerra no Mar Vermelho

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O tombo do petróleo

A Petrobras fechou a sexta-feira em queda de um vírgula setenta e dois por cento, arrastada por um tombo de quase quatro por cento no petróleo Brent, que havia rompido a marca dos cem dólares pela primeira vez desde maio. O mesmo barril que puxou o Ibovespa para cima na véspera virou, em poucas horas, o vilão do pregão.

A resposta provisória está numa notícia específica: fontes indicaram que a China retomou esforços para reaproximar Estados Unidos e Irã nas negociações de paz, e esse único sinal diplomático bastou para derrubar o Brent para menos de noventa e sete dólares. O caso levanta uma pergunta direta: um mercado que reagiu com essa intensidade a um boato de reaproximação diplomática está precificando o petróleo pela oferta real, ou pelo humor do noticiário.

Duas guerras, um só barril

Enquanto o rumor de negociações entre Washington e Teerã empurrava o preço para baixo, os mesmos despachos do dia registravam novos ataques houthis a petroleiros no Mar Vermelho, reacendendo o temor de fechamento de uma segunda rota de estrangulamento para o petróleo global. No mesmo texto que anunciava a queda do barril, o Cazaquistão confirmava um corte temporário de produção após o fechamento forçado de sua principal via de exportação.

É esse o ponto que a leitura de mercado deixa escapar: a mesma sexta-feira que trouxe menos petróleo disponível no mundo, via Mar Vermelho e Cazaquistão, foi a sessão em que o preço mais caiu. A queda não veio de mais oferta, veio de uma expectativa de menos demanda por guerra, um sinal que pode reverter tão rápido quanto surgiu se a rodada diplomática esfriar antes de virar acordo.

O efeito em cascata mediu a dependência do Ibovespa a esse único insumo: das setenta e oito ações do índice, sessenta e seis fecharam em queda, puxadas por bancos, Vale e a própria Petrobras, que juntos respondem por metade do peso teórico do índice. Um recuo concentrado em duas commodities e no setor financeiro derrubou o mercado inteiro, mesmo com o dólar estável e sem notícia doméstica negativa relevante no dia.

Juros contra o Banco Central

No mesmo dia, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, discursou na Expert XP dizendo que a recente desancoragem das expectativas de inflação exige manter a Selic restritiva por mais tempo, comparando a autoridade monetária a um transatlântico, não a um jet-ski que reage a cada dado isolado. Horas depois, o mercado de opções do Copom precificava oitenta por cento de probabilidade de corte de vinte e cinco pontos-base na reunião de cinco de agosto.

O contrato de DI para janeiro de 2027 recuou de quatorze vírgula zero dois cinco por cento para treze vírgula noventa e seis por cento no fechamento, movendo-se na direção oposta ao tom duro do próprio presidente do Banco Central. É um conflito de leitura entre dois participantes que deveriam estar alinhados: o formulador da política monetária sinaliza cautela, mas o mercado de juros futuros aposta que a queda do petróleo já resolveu boa parte da pressão inflacionária que Galípolo citou.

Some-se a isso a nova tarifa de doze vírgula cinco por cento imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, que passou a valer nesta sexta-feira e se soma à sobretaxa de vinte e cinco por cento que já vigorava desde quarta. Analistas do mercado, como Rebecca Nossig, da Nomad, avaliam que o impacto na bolsa é limitado porque o tarifaço já vinha sendo precificado nas últimas semanas, deslocando o verdadeiro fator de risco desta sexta para o petróleo e para os juros, não para o comércio exterior.

O que decide a próxima semana

O verificador mais próximo para essa tensão entre discurso duro e juros futuros em queda não é a inflação do mês seguinte, é a reunião do Copom marcada para cinco de agosto: se a Selic realmente cair vinte e cinco pontos-base como o mercado já precifica, Galípolo perde credibilidade retórica, mas confirma que a queda do petróleo já fez o trabalho de conter a inflação esperada.

Para quem já tem Petrobras na carteira, o gatilho é simples de acompanhar: se o Brent devolver a queda de sexta e voltar a subir por causa dos ataques no Mar Vermelho ou do corte do Cazaquistão, essa sessão vira apenas um solavanco passageiro dentro de uma alta estrutural. Para quem está de fora observando uma entrada, o mesmo Brent abaixo de cem dólares nos próximos pregões, sustentado pela via diplomática entre China, Estados Unidos e Irã, é o sinal de que a queda desta sexta-feira era o início de uma correção, não um ruído de um único dia.

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