PRIO cresce petróleo recua|Lucro aguenta o choque?

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O lucro e o petróleo

A leitura rápida do balanço da PRIO é excelente: lucro líquido de US$ 413,3 milhões no segundo trimestre, alta de 169% em um ano, com receita de US$ 1,22 bilhão e Ebitda de US$ 847,1 milhões.

Mas há uma ressalva importante: esse resultado ainda carrega o petróleo excepcionalmente valorizado no período. As vendas cresceram 87%, enquanto o Brent subiu 45% na comparação anual. Portanto, parte relevante do salto veio de vender mais barris em um ambiente de preço favorável.

A expectativa muda

Essa é justamente a leitura que começa a mudar. Antes do balanço, analistas apontavam a PRIO como a petroleira independente mais bem posicionada para capturar a alta do petróleo, principalmente porque a produção deveria atingir um recorde com a entrada dos poços de Wahoo. A expectativa era de forte avanço de receita, mas já havia uma advertência: o imposto de exportação de 12% reduziria o benefício do Brent mais caro, e algumas projeções não enxergavam expansão proporcional do Ebitda.

Enquanto o resultado era divulgado, o mercado passou a retirar parte do prêmio geopolítico do petróleo. A possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã e de reabertura do Estreito de Ormuz derrubou o Brent e o WTI em mais de 4% no dia 3 de agosto. A PRIO caiu 3,86% nessa sessão. A explicação é direta: para uma produtora independente, petróleo mais barato reduz a expectativa de receita, geração de caixa e lucro, mesmo que a quantidade produzida permaneça igual.

A defesa operacional

Esse é o ponto que o lucro do segundo trimestre não consegue esconder. A PRIO não vende apenas uma tese operacional; ela vende barris cujo preço é definido pelo mercado internacional. Como a companhia também está aumentando o volume, a exposição ao preço se torna maior em dólares absolutos. O imposto de exportação ainda impede que todo o ganho de um Brent mais alto chegue ao caixa. O resultado foi forte, mas não deve ser tratado automaticamente como um novo ritmo permanente de lucro.

A parte mais interessante é que a companhia também está construindo uma defesa operacional. O custo de extração caiu para US$ 8,90 por barril, recuo de 5% contra o trimestre anterior e de 36% em um ano. A redução foi associada à otimização de Peregrino e à conclusão do desenvolvimento de Wahoo. Com quatro poços conectados, Wahoo chegou a uma produção de 40 mil barris por dia em junho, no primeiro projeto desenvolvido integralmente pela PRIO.

Mais barris, menor custo

A produção confirma que não se trata apenas de uma fotografia do balanço. A média do segundo trimestre foi de 172 mil barris de óleo equivalente por dia. Em junho, chegou a 178 mil; em julho, alcançou 196,26 mil. Se esse nível se sustentar, a empresa estará compensando parte de uma eventual queda do preço com mais volume e menor custo por barril. Essa é a diferença entre uma petroleira que apenas se beneficia do ciclo e uma empresa que também melhora a própria operação.

Ainda assim, o risco de preço não desapareceu. A Opep+ aprovou aumento de 188 mil barris diários a partir de setembro. O efeito imediato pode ser limitado enquanto Ormuz continuar restrito, mas analistas avaliam que o impacto da oferta maior ficará mais claro quando os fluxos de exportação forem normalizados. Ou seja, a queda recente pode ser apenas uma correção depois do petróleo ter subido mais de 20% em julho, mas também pode marcar o início de um ambiente menos favorável para os próximos trimestres.

O que acompanhar

O melhor checkpoint para o investidor não é o lucro de US$ 413 milhões. É observar se a produção próxima de 196 mil barris por dia continua acontecendo e se Wahoo mantém sua contribuição sem novas interrupções relevantes. Analistas chegaram a projetar que a PRIO poderia se aproximar de 200 mil barris por dia após adquirir os 20% restantes de Peregrino, mas isso é uma expectativa, não uma garantia.

Para quem já tem a ação, o balanço reforça a execução operacional, mas recomenda cautela ao extrapolar o crescimento do lucro. A empresa ficou mais eficiente e maior, porém continua sensível ao Brent. Para quem está de fora, a pergunta não é simplesmente se o resultado foi bom. É se o crescimento da produção será suficiente para proteger o caixa quando o petróleo deixar de oferecer a mesma ajuda.

Minha leitura é que a PRIO não é mais apenas uma aposta na alta da commodity: Wahoo, Peregrino e o custo menor deram à companhia um motor próprio de crescimento. Mas esse motor ainda funciona dentro de um negócio cujo preço final continua fora do controle da empresa. O que permanece incerto é se a normalização de Ormuz será duradoura, quanto petróleo adicional chegará ao mercado e se a produção elevada da PRIO conseguirá compensar um Brent estruturalmente mais baixo.

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