Prio PRIO3 cai 6,9%|XP ainda recomenda compra

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O tombo que a XP não previu

As ações da Prio despencaram 6,91% nesta segunda-feira, fechando a R$ 57,10, a maior queda do Ibovespa no pregão. No mesmo dia, a XP classificou a companhia, ao lado da Petrobras, como uma das melhores relações entre risco e retorno do setor de petróleo, com rendimentos atrativos para 2026.

O tombo aconteceu porque o petróleo derreteu depois que Trump e o premiê do Paquistão confirmaram um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O WTI fechou em baixa de 4,86%, a US$ 80,75 o barril, e o Brent recuou 4,76%, a US$ 83,17, encerrando de vez o prêmio de risco geopolítico que vinha sustentando os preços.

A chamada da XP não veio antes da queda, mas foi publicada no mesmo pregão em que o papel afundava. Isso levanta a pergunta que o resto da análise precisa resolver: a casa já enxergava esse tombo como parte do preço de entrada, ou a recomendação simplesmente não acompanhou a nova realidade do petróleo mais barato?

Mesma trégua, direções opostas

Enquanto a Prio afundava, a Embraer disparou 7,06%, a R$ 77,99, a maior alta do Ibovespa no mesmo pregão. A notícia do cessar-fogo que derrubou o petróleo foi exatamente o combustível da alta da fabricante aérea, beneficiada pelo alívio geopolítico que, para a Prio, foi a própria causa do tombo.

O tombo do petróleo não ficou restrito à Prio. A Petrorecôncavo cedeu 6,5%, a R$ 10,22, e a própria Petrobras recuou 5,3%, a R$ 43,74. Todo o setor de exploração e produção listado no Ibovespa pagou o mesmo preço pela trégua confirmada no fim de semana.

O pressuposto por trás do yield

A tese da XP de rendimento atrativo pressupõe um patamar de preço do petróleo capaz de sustentar o fluxo de caixa da Prio nos próximos trimestres. Se o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã se consolidar, esse patamar deixa de ser o mesmo que embasou a recomendação publicada hoje.

Trump e Sharif abriram uma janela de 60 dias de negociação que pode encerrar definitivamente o conflito. Enquanto essa janela não se fecha, o WTI sustentado abaixo de US$ 81 e o Brent abaixo de US$ 84 funcionam como o termômetro real de quanto ainda vale a tese de rendimento da XP.

Armadilha ou ponto de entrada

Apesar do tombo diário, a Prio ainda acumula alta de 37,86% no ano, mesmo cedendo 8,27% no mês. O recuo de hoje pesa no curto prazo, mas isoladamente não invalida o desempenho estrutural que sustentou a recomendação da XP até esta segunda-feira.

Para quem já tem Prio na carteira, o sinal a observar é se o WTI volta a romper US$ 85 nas próximas semanas, o que confirmaria a tese da XP e transformaria a queda de hoje em ponto de entrada. Se o petróleo persistir abaixo de US$ 81 com a trégua consolidada, o mesmo recuo se converte em armadilha para quem comprar na baixa.

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