RD Saúde cresce 18%|GLP-1 pressiona margem

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O crescimento que divide a leitura

Em 9 de agosto, a RD Saúde apareceu no balanço do segundo trimestre com receita bruta 18% maior, em R$ 12,8 bilhões. Os medicamentos de marca cresceram 24% na comparação anual, puxados principalmente pelos GLP-1.

Isso confirma que a procura existe, mas não resolve sozinha a equação econômica. A própria categoria cresce com preços médios menores, porque o volume compensa parte dessa queda.

A primeira resposta é, portanto, ambígua: a RD está ganhando vendas e participação, mas cada venda adicional não vale o mesmo para a margem. A pergunta deixa de ser se há demanda e passa a ser quanto dessa demanda vira resultado.

O preço do crescimento

A margem bruta caiu de 29% para 28,9%, mesmo com as vendas em mesmas lojas crescendo 13%. Ao mesmo tempo, a margem Ebitda ficou em 8%, e o caixa do trimestre foi positivo em R$ 550 milhões.

O mix de GLP-1 é parte da pressão, mas não é a única explicação: a companhia também citou ajuste a valor presente e menor ganho com inflação de estoques. A estabilidade do Ebitda sugere compensação operacional, não ausência de pressão no produto.

Esse detalhe muda o diagnóstico: o problema imediato não é falta de procura, e sim monetizar um crescimento com preço médio menor. A dívida líquida caiu 24,9%, mas isso reforça o caixa, não prova que a margem voltará a subir.

O teste da escala

Na comparação com a Pague Menos, a RD entregou vendas em lojas maduras de 11%, contra 8% da concorrente. O canal digital da RD chegou a R$ 3,9 bilhões, alta de 52,2%, e passou a representar 31% do varejo.

A diferença sugere uma vantagem de escala e execução, mas continua sendo uma leitura comparativa. O JPMorgan manteve a RD como favorita por participação, produtividade, plataforma omnicanal e previsibilidade de caixa; isso é opinião de analista, não fato operacional.

O teste seguinte é transformar essa escala em margem sem perder o ritmo de vendas. A empresa reafirmou entre 330 e 350 aberturas brutas em 2026; até lá, a leitura mais forte é de crescimento saudável, porém condicionado à recuperação da rentabilidade do mix.

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