Siderúrgicas 9% com Tarifa 301|ROXO34 -10% em Crise de Liderança

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Tarifaço Que Turbinou a Bolsa

VALE3, CSNA3 e USIM5 subiram até 9% na terça-feira enquanto o Ibovespa ainda carregava cinco sessões consecutivas de queda. O paradoxo não é acidental. A proclamação tarifária do governo Trump, que impôs 25% sobre produtos brasileiros via Seção 301, veio acompanhada de uma lista de exceções com 73 páginas — e o minério de ferro não figurou nenhuma vez entre os alvos. Esse detalhe transformou o anúncio de ameaça em catalisador.

A lógica do fluxo foi direta. O minério de ferro fechou o dia em alta no mercado internacional, e investidores institucionais reposicionaram exposição para ativos com receita protegida pelo próprio mecanismo tarifário americano. No caso da Gerdau (GGBR4), a presença operacional nos Estados Unidos funciona como hedge natural: quanto mais Washington protege o aço americano, mais rentável fica a operação local da companhia. Para CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5), a lógica passou pela mineração integrada — ambas têm operações que se beneficiam da alta do minério independentemente das tarifas sobre o aço laminado. O resultado foi uma rotação visível: capital estrangeiro que havia saído R$ 14 bilhões do Ibovespa em maio começou a diferenciar entre setores, não a sair uniformemente.

O que permanece sem resolução é a dimensão política. A investigação pela Seção 301 continua aberta, e a proposta de tarifa de 25% ainda passa por consulta pública. A isenção do minério foi técnica, não diplomática. Se a negociação bilateral deteriorar nas próximas semanas, essa mesma lista de exceções pode ser revisada — e o fluxo que entrou nos papéis de mineração precificou a isenção como estrutural quando ela é, na prática, revogável. Essa assimetria entre o que o mercado precificou e o que o documento diz é a variável que os próximos relatórios comerciais entre Brasília e Washington vão testar.

ROXO34 e o Custo da Liderança

ROXO34 (Nubank) chegou a cair mais de 10% na sessão de terça-feira, enquanto VALE3 e CSNA3 subiam — e esse contraste dentro do mesmo pregão revela o frame que está movendo capital no mercado brasileiro agora. A troca do CFO Guilherme Lago pelo americano Rob Livingston, ex-Visa, foi anunciada na véspera sem sinalização anterior ao mercado. O Bank of America reagiu antes de qualquer declaração adicional da companhia: cortou a recomendação para underperform e derrubou o preço-alvo de US$16 para US$10.

O que o BofA nomeou explicitamente não foi a qualidade de Livingston — é reconhecida. O problema apontado foi o timing. A saída de Lago é a terceira mudança relevante na alta direção do Nubank desde maio de 2025, incluindo a saída do ex-presidente de operações Youssef Lahrech. Para analistas do BTG, a maioria dos investidores já esperava que os números do 1T26 fossem razoáveis, mas concordava que as preocupações com qualidade de crédito não desapareceriam — e uma nova troca de liderança adicionou uma camada de incerteza sobre estratégia e execução que não estava no preço. A inadimplência acima de 90 dias subiu de 7,2% para 8,9% entre o 4T25 e o 1T26, mesmo período em que a carteira de crédito dobrou para R$28 bilhões. O crescimento acelerado está produzindo um ciclo de maturação de crédito cuja qualidade ainda não foi verificada nos portfólios mais recentes.

O ponto de tensão real não é se Livingston é competente. É se o Nubank consegue produzir dois ou três trimestres consecutivos com melhora mensurável no NIM ajustado ao risco e estabilização da inadimplência enquanto simultaneamente sinaliza expansão para os Estados Unidos — uma estratégia que exige exatamente o tipo de experiência internacional que Livingston traz, mas que o mercado ainda não precificou como positiva porque não há evidência de execução. O BTG retirou ROXO34 de sua carteira 10SIM e substituiu por ITUB4, citando que o Itaú negocia a 8,6x preço sobre lucro projetado para 2026 contra um ambiente de crédito mais desafiador. Esse deslocamento de capital — de ROXO34 para ITUB4 dentro da mesma classe de ativos financeiros domésticos — é o sinal de posicionamento mais concreto da sessão: não é saída do setor, é mudança de endereço dentro do setor.

O ponto de verificação está no próximo resultado trimestral do Nubank. Se o NIM ajustado ao risco mostrar recuperação e a formação de stage 3 — que já recuou de 7,1% para 3,9% no 1T26 — continuar caindo, a leitura do BofA perde sustentação. Se a inadimplência acima de 90 dias avançar além de 9% no 2T26 com a carteira ainda crescendo acima de 30% ao ano, o argumento sobre pressão de margens ganha consistência independentemente de quem assina como CFO. A troca de liderança não é a causa do problema — é o momento que tornou o problema visível para quem ainda não havia saído.

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