Tesla|O dilema do valuation

2026-04-18 · B3

O Impasse

A Tesla é precificada como plataforma de tecnologia, mas sua receita depende de veículos. Em 2025, o faturamento caiu pela primeira vez, com lucro líquido 47% menor e operacional com queda de 38%. Mesmo assim, o múltiplo P/L projetado é de 167 vezes. É uma aposta no futuro, não nos ganhos atuais. O UBS elevou a recomendação para "neutra", citando que o papel negocia mais por sentimento e narrativa do que por fundamentos.

Realidade do EV

No 1T26, a Tesla entregou 358.023 veículos, abaixo do esperado. No 4T25, as entregas caíram 16%. A empresa enfrenta problemas de demanda por concorrência e falta de incentivos nos EUA. A visibilidade política de Musk afeta vendas na Europa e a regulação do FSD trava o software na China. Com US$ 44 bi em caixa e margem de 16%, o negócio é sólido, mas gera menos lucro do que o valuation pressupõe.

Além dos Carros

O setor de energia cresceu 168% ao ano (CAGR) desde 2023, com recorde de 14,2 GWh no 4T25. A rede de recarga, com 77 mil conectores e adesão de Ford e Mercedes, gera receita recorrente de alta margem. Na tecnologia, o chip AI5 concluiu o "tape-out" para produção em 2027. O FSD atingiu 1,1 milhão de usuários ativos (+38%), criando um fosso de dados que concorrentes não conseguem replicar.

Aposta e Risco

O Capex deve atingir US$ 20 bilhões este ano, ante US$ 8,5 bilhões anteriores. Se o gasto em Robotaxi e Optimus frutificar, o múltiplo se justifica. Contudo, mercados de previsão dão apenas 12% de chance ao Robotaxi na Califórnia até junho. O balanço de 22 de abril será decisivo: ou a Tesla prova avanços em IA, ou o mercado reajustará o papel para múltiplos de montadora. O risco reside no tempo da transição.