TIM TIMS3|Lucro recorde, ação despenca 5,8%
O tombo que não bate com o balanço
A TIM (TIMS3) fechou terça-feira, dia 28, com queda de 5,81%, a R$ 20,25, liderando as perdas do Ibovespa ao lado da Vivo. A queda veio um dia depois de a empresa divulgar lucro líquido normalizado de R$ 1,036 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 6,2% sobre um ano antes e o maior resultado da história da companhia para um segundo trimestre. O Ebitda ajustado somou R$ 3,586 bilhões, avanço de 7%, com margem subindo de 50,8% para 51,5%. Um número recorde de lucro seguido de uma das piores quedas do dia no índice é a contradição que este vídeo explica.
Segundo o InfoMoney e a Exame, os relatórios de análise convergiram para um diagnóstico comum sobre a TIM: um trimestre em linha com as expectativas, sem gatilho positivo capaz de sustentar a ação. O BTG Pactual, que mantém recomendação de compra, resumiu o balanço no próprio título de seu relatório como um trimestre sem surpresas, com Ebitda ligeiramente acima e receita ligeiramente abaixo do projetado. Não houve um erro do resultado. O mercado não puniu um número ruim, puniu a ausência de um número bom o suficiente para mudar a leitura sobre o negócio.
A resposta provisória para por que o mercado reagiu assim já está nos relatórios: o problema não está na fotografia do trimestre, está na trajetória que ela revela sobre a base de clientes e a concorrência. É essa trajetória que o resto do vídeo detalha.
Onde a desaceleração aparece
A receita de serviços móveis cresceu 4,6% no trimestre, desacelerando frente aos 5,6% do primeiro trimestre de 2026. O pós-pago tradicional perdeu ritmo, e o ARPU móvel avançou de forma mais limitada, para R$ 34,30. A TIM Ultrafibra, um dos motores de crescimento da operadora, também desacelerou: receita de 9,5%, ante 11,4% no trimestre anterior. As despesas com provisão para créditos de liquidação duvidosa subiram 38,1% no ano, para R$ 264 milhões, puxadas por um efeito pontual ligado a um cliente do segmento B2B e atacado, além da maior exposição da base pós-paga ao risco de inadimplência.
O Itaú BBA, que tem recomendação neutra e preço-alvo de R$ 30, avaliou que o resultado veio amplamente em linha, mas destacou tendências mais fracas no negócio móvel na comparação anual. Para o banco, o trimestre dentro do esperado ajuda a reduzir o risco de revisões para baixo no consenso de 2026, depois de um primeiro trimestre abaixo do esperado — mas o banco chama atenção para a execução na migração de clientes do pré para o pós-pago em meio à inadimplência mais alta, e para a sustentabilidade da recuperação de margem.
A resposta se torna mais condicional: o lucro recorde e a margem maior convivem com uma base móvel que caiu 0,5% no trimestre, para 61,879 milhões de clientes, e uma participação de mercado que recuou 0,9 ponto percentual em um ano, para 22,4%, segundo dados da Anatel de maio. A rentabilidade de hoje é real, mas está sendo sustentada enquanto a base que a gera perde espaço para os concorrentes.
Quem discorda e por quê
É aqui que aparece a leitura oposta, vinda do mesmo banco que chamou o trimestre de sem surpresas. Para o BTG Pactual, a queda recente abriu uma oportunidade de compra: com o tombo, os papéis da TIM já acumulam perda de mais de 20% desde o pico do ano, ficando mais baratos. Nas contas do banco, a ação deve pagar o equivalente a 10,5% do seu preço em proventos em 2026 e oferece retorno de caixa livre de cerca de 12% — números que, segundo os analistas, tornam o preço atual atrativo mesmo diante do temor de concorrência mais acirrada no setor.
O presidente da TIM, Alberto Griselli, avaliou que a reação negativa do mercado não reflete os resultados financeiros da operadora, mas sim uma mudança na percepção dos investidores sobre o ambiente competitivo do setor de telecomunicações. A empresa, portanto, atribui a queda a expectativa, não a fundamento — a mesma divisão que separa BTG de Itaú BBA.
O que fica depois de cruzar as duas leituras é uma pergunta de horizonte, não de fato: o preço já caiu o suficiente para compensar a desaceleração móvel e a inadimplência mais alta, como aposta o BTG com o dividendo de dois dígitos, ou a queda de participação de mercado para 22,4% é o começo de uma erosão que a margem atual ainda não capturou, como sugere a cautela do Itaú BBA. Os números do trimestre não resolvem essa divergência — eles são exatamente o material que os dois lados usam para chegar a conclusões opostas.
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