WEG WEGE3|Lucro Cai 2,1%, Ação Dispara 10% no Dia do Tarifaço

· B3

Gancho — lucro cai, ação dispara 10% no dia do tarifaço

A WEG divulgou lucro líquido de R$1,56 bilhão no segundo trimestre, uma queda de 2,1% frente ao ano anterior. A ação WEGE3 disparou 10,05% no mesmo pregão, batendo R$46,74 e virando o papel mais negociado do Ibovespa naquele dia.

O balanço saiu na mesma quarta-feira em que a tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros passou a valer. E a WEG não escapou: ao lado de Bracell e Klabin, ficou de fora da lista final de isenções do USTR, justamente quando outras exportadoras como JBS e as siderúrgicas de ferro-gusa conseguiram proteção.

Receita líquida também recuou, ainda que discretamente, 0,6% na comparação anual. Nenhum dos três fatores óbvios — lucro, receita ou ambiente tarifário — deveria, isoladamente, justificar um salto de dois dígitos. A resposta não estava na linha de cima do balanço, mas na margem que sustentou tudo isso.

Causa direta — a batalha da margem, não da receita

O centro da surpresa foi a rentabilidade. A margem Ebitda da WEG ficou em 21,8%, um recuo de apenas 0,3 ponto percentual em um ano — e acima tanto do consenso de mercado quanto das estimativas do Bradesco BBI. O lucro superou em 3% as expectativas compiladas pela Bloomberg, e o Ebitda de R$2,21 bilhões ficou 11% acima da projeção do Goldman Sachs.

Mas os bancos não leram o mesmo balanço da mesma forma. O Citi manteve o tom cético, dizendo que ainda falta força às receitas da WEG num ambiente doméstico mais duro. Já o BTG Pactual classificou a resiliência da margem como sinal de que a empresa entrou em um novo patamar de rentabilidade — e o Bradesco BBI disse que o resultado ajuda a dissipar as preocupações que surgiram depois da margem fraca do primeiro trimestre.

O motivo da dúvida do Citi tem nome: o custo do cobre, matéria-prima essencial para motores e transformadores, subiu cerca de 30% desde setembro do ano passado. A própria concorrente suíça ABB reconheceu que seus preços ainda estão atrasados em relação a essa inflação de custos, embora espere eliminar a defasagem até o fim do ano — um caminho que o mercado agora espera ver replicado na WEG.

Por isso o resultado inverteu a leitura do mercado. Um lucro em queda, mas menor que o esperado, num trimestre com câmbio desfavorável e custo de cobre em alta, passou a ser interpretado como evidência de que a margem aguenta pressão — não como confirmação de que a empresa está perdendo força.

Transmissão — tarifaço, cobre e o Brasil doméstico

No mercado interno, a receita caiu 4,9% na comparação anual — bem menos que a queda de quase 20% registrada no primeiro trimestre. A divisão de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais avançou 16,5% no Brasil, puxada pela retomada da atividade industrial e pela demanda do setor de papel e celulose.

O contraponto veio da divisão de Geração, Transmissão e Distribuição, cujas receitas domésticas caíram 23% na comparação anual, pela falta de entregas relevantes de projetos de energia solar centralizada. Os próprios analistas já esperavam essa queda e apontam o terceiro trimestre como o momento de normalização.

Sobre o tarifaço em si, o BTG Pactual estima que a fatia da receita líquida exposta à nova tarifa de 25% chega a apenas 2% a 3%, graças à redistribuição de manufatura para o México e a ajustes de preço nos Estados Unidos. A WEG já havia enfrentado tarifas de cerca de 50% no ano passado e conseguiu repassar integralmente o custo, preservando margens.

Conclusão — o gatilho de verificação

Para quem já tem WEGE3, o gatilho é simples: se a divisão de energia solar doméstica voltar a crescer no terceiro trimestre e a margem Ebitda se mantiver perto de 21%, a tese de resiliência se confirma. Se o custo do cobre continuar subindo mais rápido que os reajustes de preço, a margem que sustentou o salto de hoje pode ser a primeira a ceder.

O BTG Pactual mantém recomendação de compra para WEGE3 com preço-alvo de R$65, mesmo após o salto de 10%. Mas antes de seguir essa leitura, quem está de fora deveria observar um único indicador: a normalização da divisão de energia transmissão e distribuição no terceiro trimestre é o dado que vai dizer se a resiliência de margem apresentada hoje é estrutural ou apenas um trimestre de sorte cambial.

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