WEG WEGE3|Tarifa 25% 2T26 Fraco com Demanda Global Recorde

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A Tarifa que Chegou no Pior Momento

A WEG recebeu hoje a notícia da tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros justamente quando analistas projetam queda de receita de 2,3% no segundo trimestre. O paradoxo é imediato: a concorrente suíça ABB acaba de reportar um trimestre recorde, com pedidos de US$ 12 bilhões e aumento do guidance pelo segundo trimestre consecutivo. O mesmo mercado global de motores e transformadores que impulsiona a ABB deveria impulsionar a WEG — mas os números apontam direções opostas.

O BTG Pactual manteve hoje recomendação de compra com preço-alvo de R$ 65, argumentando que a exposição real da WEG à nova tarifa é de apenas 2% a 3% da receita líquida. O Safra e o Citi, no mesmo período, recomendaram neutro com alvos entre R$ 49 e R$ 53,60. Dois bancos olham para o mesmo balanço, o mesmo tarifaço e a mesma concorrente recorde — e chegam a conclusões que diferem em 33%. Essa divergência não é ruído: ela revela que o mercado ainda não sabe qual variável decide o valor da WEG.

O BTG estima que a WEG já havia realocado produção para o México e que motores abaixo de 200HP estão cobertos pela Seção 232 já existente — reduzindo a exposição ao novo lote. Mas a tarifa de 25% chegou quando o cobre, matéria-prima central do custo da WEG, já subiu cerca de 30% desde setembro de 2025. A questão central não é se a tarifa é grande ou pequena: é se ela chega no momento em que as margens já estão comprimidas por outro vetor, tornando o impacto combinado maior do que cada um isolado.

O Custo Chega Antes da Receita

O Citi revelou o dado que muda o enquadramento do debate: apenas cerca de 10% do aumento de capacidade planejado pela WEG foi efetivamente entregue até agora. Os projetos em Betim, Gravataí e Colômbia devem ser concluídos até o fim de 2026, e a expansão no México — a mais relevante — entra em operação só em 2027. Isso significa que a WEG está absorvendo hoje os custos de contratação e treinamento de mão de obra para uma capacidade que ainda não gera receita. O mercado que precifica o 2T26 fraco como efeito cambial pode estar subestimando um mecanismo mais longo.

A narrativa dominante atribui a pressão de margem ao real fortalecido, que desvalorizou as receitas externas em aproximadamente 10% ao ano. Mas o Citi aponta que a compressão de margens abaixo dos 22% históricos reflete principalmente os custos iniciais da expansão de transformadores — e não o câmbio. A diferença importa: o câmbio é exógeno e pode virar; o custo antecipado de uma expansão de capacidade é um comprometimento contratual que não reverte. Quem precifica os dois da mesma forma está olhando para variáveis com dinâmicas completamente distintas.

A própria leitura positiva da ABB carrega uma ressalva que os otimistas sobre a WEG não citam: no Brasil, a ABB registrou queda de 26% ano a ano nas encomendas no segundo trimestre. O mercado doméstico de geração, transmissão e distribuição da WEG está fraco — e esse é o segmento onde a empresa está investindo pesado na expansão. A demanda global que a ABB captura nos Estados Unidos e na Europa não transita automaticamente para o mercado doméstico brasileiro. O cobre que subiu 30% e o câmbio que comprime receita afetam ambas, mas a ABB exporta em dólar enquanto a WEG converte em real — a sobreposição de portfólio tem limites que os relatórios de analogia raramente delimitam.

O Safra projeta margem Ebitda de 21,2% no 2T26, abaixo da média histórica de 22%, com lucro líquido ajustado de R$ 1,47 bilhão e retração de 7,5% ao ano. O BTG acrescenta um risco não precificado: a discussão em andamento sobre a Seção 122, que poderia elevar as tarifas para 37,5% — ainda abaixo dos 50% que a WEG enfrentou no passado e conseguiu repassar, mas num contexto de margens já comprimidas, em que a capacidade de repasse pode ser menor. O piso do risco não é o que aconteceu hoje: é o que pode ser anunciado na próxima semana.

22 de Julho: Fundo ou Armadilha?

Na quarta-feira, dia 22 de julho, a WEG divulga os resultados do segundo trimestre antes da abertura do mercado. O Safra projeta lucro líquido ajustado 1,5% abaixo do consenso — não é o número em si que move o ativo, mas o que a administração diz sobre o terceiro trimestre. O Safra e o Citi concordam que a melhora começará a aparecer no 3T26, ancorada em comparações mais fáceis e na entrada gradual da nova capacidade de Betim. Se o guidance confirmar essa narrativa, o 2T26 fraco é o fundo do ciclo. Se a administração hesitar ou revisar para baixo, o investidor descobre que pagou antecipado por um benefício que pode demorar mais do que 2027.

Para o holder, o gatilho de retenção é simples: o guidance do terceiro trimestre precisa sinalizar expansão de receita e início de normalização de margem — sem isso, a pressão de custo que o Citi descreve não é transitória. Para o investidor em observação, a entrada faz sentido apenas se o 2T26 confirmar o ponto de inflexão que o Safra descreve: bases de comparação mais fáceis no solar e entrada de capacidade em Betim começando a converter em receita. O alvo de R$ 65 do BTG implica que o cenário positivo já está embutido na recomendação; sem o 3T26 crescente, a referência que ancora a recomendação de compra perde o suporte. O número que muda o enquadramento não é a receita do 2T26 — é a margem Ebitda do 3T26 reportada em outubro.

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