WEG WEGE3|Upgrade dos bancos após alta de 10% tese de crescimento voltou de vez?

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O salto que reacendeu a tese

A WEG abriu a temporada de balanços do Ibovespa nesta quarta e surpreendeu o mercado. As ações WEGE3 dispararam mais de 10%, a R$ 46,74, depois que a fabricante catarinense reportou lucro líquido de R$ 1,56 bilhão no segundo trimestre. O número veio acima do consenso, mesmo com queda de 2,1% na comparação anual, porque as expectativas do mercado estavam bem mais pessimistas.

O que impressionou não foi o tamanho do lucro, mas a resistência da rentabilidade. A margem Ebitda voltou a 21,8%, patamar de 2024 e 2025, mesmo com o custo do cobre em alta e as tarifas americanas pressionando as exportações. A receita doméstica caiu 4,9%, bem menos que os 10% projetados pelo Bradesco BBI, puxada pela recuperação de equipamentos industriais no Brasil.

O resultado reacendeu uma pergunta que havia perdido força nos últimos trimestres. O BTG Pactual resumiu o debate diretamente: será que a tese de crescimento da WEG está de volta? A resposta não é óbvia, porque a companhia ainda enfrenta tarifas americanas e um real mais forte, dois ventos contrários que já haviam pressionado os resultados anteriores.

Os bancos mudam de lado

Nos dias seguintes ao balanço, dois grandes bancos mudaram de posição. O JPMorgan elevou a recomendação para overweight, com preço-alvo de R$ 56 para dezembro de 2027. Depois, o Bradesco BBI foi além: subiu a recomendação de neutra para outperform e elevou o preço-alvo de R$ 48 para R$ 60, um potencial de valorização de cerca de 30% sobre o fechamento de R$ 46,40 desta segunda-feira.

O Itaú BBA usou termos ainda mais diretos. Segundo o banco, o resultado não muda completamente a tese, mas reduz significativamente os riscos — e o segundo trimestre deveria marcar o ponto de inflexão que os investidores esperavam há tempos. A leitura é que novas capacidades produtivas entrando em operação no segundo semestre, somadas a bases de comparação mais fáceis, abrem caminho para uma reaceleração dos lucros.

O argumento central do Bradesco BBI para a virada é concreto. O banco estima que a WEG dobrará sua capacidade de produção de transformadores até 2027 frente a 2023, com as novas unidades de Betim e Gravataí já entrando em operação. Plenamente utilizada, essa expansão pode adicionar cerca de R$ 450 milhões em receita por trimestre e gerar até R$ 7,5 bilhões em receita anual incremental — o principal vetor de crescimento da companhia para os próximos anos, segundo o banco.

O valuation que ainda intriga

Nem todo mundo lê o mesmo balanço da mesma forma. A XP Investimentos reconhece a força do resultado, mas pondera que o valuation já embute boa parte do otimismo. Segundo a casa, a ação está sendo negociada a um múltiplo preço-lucro de 27 vezes para 2027, depois da alta de quarta-feira, o que já captura parte relevante da trajetória de crescimento esperada para 2027 e 2028.

Uma pesquisa da XP com investidores mostrou a virada de humor de forma numérica: o posicionamento comprado nas ações saltou de 6% no primeiro trimestre para 30% agora, enquanto as posições vendidas recuaram de 28% para 22%. Ao mesmo tempo, o Bradesco BBI aponta um novo catalisador ainda não precificado: o primeiro leilão brasileiro de sistemas de armazenamento de energia por baterias, previsto para dezembro, no qual a WEG poderia capturar cerca de R$ 2 bilhões em receita apenas na primeira rodada.

O risco tarifário, que preocupava o mercado antes do balanço, mostrou-se mais contido do que se temia: estimativas indicam que apenas 1,4% da receita consolidada da WEG está diretamente exposta à tarifa de 25% dos Estados Unidos, graças à produção local instalada em território americano. Com o mercado dividido entre quem já vê o ponto de inflexão precificado e quem ainda enxerga espaço, o próximo teste real da tese vem no quarto trimestre, quando o Bradesco BBI projeta que o crescimento de receita acelere para 11% — o primeiro sinal concreto de que a nova capacidade está, de fato, virando resultado.

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